Friday, September 30, 2016

Senhor Shiva - Criador do Yoga, Deus da Fertilidade e da Destruição

                                                

O dançarino de Bharatnatyam sempre inicia e finaliza cada sessão de dança com uma saudação, prestando assim o devido respeito ao senhor Nataraja, o deus da Dança, e também ao seu Guru e à audiência.

É de praxe recitar o shloka antes dessa saudação. Este shloka é uma prece ao Senhor Nataraja, que é a personificação dos quatro Abninayas (Angikabhinaya, Vachikabhinaya, Aharyabhinaya e Satvikabhinaya).


Sloka:

आंगिकम भुवनम यस्य
 वाचिकं सर्व वाङ्ग्मयम
आहार्यं चन्द्र ताराधि
 तं नुमः सात्विकं शिवम्


Pronúncia:

Angikam Bhuvanam Yasya
Vachikam Sarva Vangmayam
Aaharyam Chandra Taradi
Tam Numah Saattvikam Shivam


Significado literal:

Angikam - corpo
Bhuvanam - universo
Yasya - cujo
Vachikam - fala, música, poesia
Sarva - todas as pessoas
Vangmayam - linguagem
Aharyam - ornamentos
Chandra - Lua
Taradi - estrelas
Tam - a VOCÊ
Numah - reverência, inclinar-se
Satvikam - puro
Shivam - deus Shiva


Interpretação:

Cujos membros (do corpo) são o mundo e o universo,
Cuja música e poesia são a essência de toda a linguagem,
Cujos ornamentos são a Lua e as estrelas…
Nos curvamos a Ele, o benevolente


Na prática que realizamos no Satsanga de aniversário de 8 anos do Surya usamos também os mudras coreografados pela professora Babi, com o seguinte significado:

Poderoso Senhor Shiva
Ele criou todos os campos
E todo Universo
Ele usa dois brincos, um colar e uma meia lua na testa
E até as estrelas se curvam para ele
E eu também me curvo
Ao poderoso Shiva
Deus da Dança, da Fertilidade e da Destruição

Agradeço a todos os que estiveram presentes nessa prática, e desejo que estejam todos prontos e abertos para dar início às mudanças e transformações que forem necessárias em sua senda.

Namaste!




fontes:
https://vibrar.hotglue.me/?Bharatanatyam
https://bharathanatyam.wordpress.com/tag/sloka/
http://natyanjali.blogspot.com.br/2010/07/dance-shlokas.html
http://www.cosmic-dance.com/uploads/2/1/8/5/21856174/dhyana_shlokam.pdf
http://www.angikamdance.com/
http://svayambhu.blogspot.com.br/2015/12/angikam-bhuvanam-yasya.html


Saturday, June 18, 2016

Removendo obstáculos



Om Gam Ganapataye Namaha

Este mantra, além de lindo, é super poderoso. Experiência própria:

Alguns dias atrás fui convidada a ministrar uma aula de Yoga Nidra no Surya e encerramos com este mantra, mentalizando a remoção de obstáculos. Não apenas o som encheu a sala de maneira descomunal como a graça que eu havia mentalizado foi alcançada em questão de algumas horas. Êxtase grata a Lord Ganesha.

As alunas quiseram saber o significado do mantra, que na hora não me ocorreu, apesar de já ter estudado e lido bastante a respeito. Fiz uma nova pesquisa e resignifiquei os conceitos, agora coroados pela linda experiência prática. 

Literalmente, o significado é "Om saudações a Ganapati, o deva dos devas"
Ganapati é um dos nomes pelos quais Ganesha é conhecido, e significa "deus de todos os deuses" ou "administrador cósmico"
Outra tradução muito difundida do mantra seria "Om e saudações àquele que remove obstáculos do qual Gum é o som seminal."
(No meu coração o primeiro faz mais sentido...)

O nome Ganesha (ou Ganeśa), é composto de gana (exércitos) e iśa (senhor). Em sânscrito, a junção das vogais a e i resulta em e. Ganesha é o deus hindu mais amplamente reverenciado. Sua forma humana com cabeça de elefante representa o poder do ser supremo que remove os obstáculos (vighnam) assegura o sucesso nos empreendimentos humanos. A mistura de partes humana e animal simboliza os ideais da perfeição como concebida pelos sábios hindus e ilustra conceitos filosóficos de profundo significado espiritual.

"No início de qualquer empreendimento ele (Ganesha) é invocado. Na mão esquerda leva um vaso de arroz com o qual se alimenta, ou de coral, pedras preciosas e pérolas, que derrama sobre seus devotos. Ventrudo e abastado, é o dispensador da prosperidade e do bem-estar terreno." (ZIMMER)

"A grande cabeça de elefante simboliza sabedoria, compreensão e um intelecto discriminador que é preciso possuir para atingir a perfeição nesta vida. A grande boca representa o desejo humano natural de aproveitar a existência no mundo. As largas orelhas significam que uma pessoa perfeita é aquela que possui grande capacidade de ouvir os outros e de assimilar idéias." (BANSAL)

Um humano-elefante tanto pode arrancar uma árvore pela raiz como apanhar uma agulha no chão. Da mesma forma, a mente humana deve ser forte o suficiente para encarar os altos e baixos do mundo exterior e delicada para explorar as nuances do mundo interior. As duas presas simbolizam sabedoria e emoção; a esquerda está quebrada mostrando que é preciso dominar as emoções com sabedoria para atingir a perfeição.
  
Ganesha, em sua caminhada, supera como um elefante as dificuldades da floresta adentro, assim como sua montaria, o rato, que abre caminho para chegar em segurança ao celeiro onde consumirá o arroz armazenado; como tal, é montaria adequada, embora fisicamente incongruente. Ambos representam o poder que esse deus possui, de vencer todos os obstáculos do caminho.

Na mitologia hindu aparece ao lado de seu pai, Shiva, como o Senhor dos Exércitos. E o próprio Shiva, em seu regozijo cósmico na postura de dançarino (Siva-Nataraja), faz com a mão que aponta seu pé esquerdo erguido o gesto que imita a tromba estendida do elefante (gaja-hasta-mudra). O pé significa a liberação; nele o devoto encontra refúgio e salvação. A mão é o lembrete de que seu filho Ganesha é o removedor de obstáculos.





Prática sugerida: todos os dias, ao acordar, faça a postura de reverência (também conhecida como postura da criança), e mentalize a humildade, um agradecimento, um pedido de desculpas. Permaneça na postura, relaxando, enquanto estiver confortável. Ao desmanchar a postura, agradeça sua vida, seu novo dia que se inicia, reverencie sua divindade interna. 

Namastê! 


Fontes:
ZIMMER, Heinrich. Mitos e Símbolos na Arte e Civilização da Índia. Ed Palas Athena, 1989.
BANSAL, Sunita Pant. Deuses e Deusas Hindus. Ed. Nova Era, 2007.