Aqui em
Mombuca minha família tem um sítio desde que me entendo por gente. Assim que minha irmã mudou-se pra cá venho mensalmente e essa visita se estende por uma semana.
Adoro este lugar mágico, por causa da convivência familiar, do amplo espaço, da natureza ali na porta, do ar puríssimo e da incrível tranquilidade que acompanha isso tudo. É o clichê "qualidade de vida", mas sempre tem algo a mais, né?
Todos os dias vamos até a horta do vovô Natal buscar dois ou três pés de alface. Não sei se é a qualidade da semente, o astral do lugar, o cocô de cabrito que fertiliza ou a mistura dessas coisas todas que faz com que seja a alface mais gostosa que eu já comi na vida. Trago pra pia, lavo uma a uma com carinho na água sem cloro, coloco de molho com um pouco de vinagre, mas quando não dá tempo vai direto pra mesa.
Nossas
cabrinhas produzem de 3 a 4 litros de leite por dia, o suficiente pra alimentar as crianças e pra fazer queijos, iogurtes e coalhadas. O queijo frescal demora um dia inteiro pra ficar pronto e ainda passa mais uma noite na forma, dentro da geladeira; ele sai molinho, com uma brancura característica do leite de cabra (baixa gordura) e um sabor adocicado e levemente ácido; a produção fez o maior sucesso entre família e amigos de Campinas. Ainda faltam instrumentos pra transformar o processo artesanal em algo mais rentável, mas já estamos aceitando encomendas! Cada queijo frescal de cabra sai com 300 a 500g de peso, dependendo do tempo de desenforme.

Temos também galinhas caipiras de vários tipos. Uma delas estava me esperando pra ser preparada: coloquei na panela para selar, acrescentei água, cebola e tomate, deixei no cozimento por umas duas horas. A diferença é gritante, tanto pela cor como pela textura. A coxa era tão consistente que parecia um músculo, sem perder a maciez e muito mais saborosa. Descobri que galináceos que pastam livremente tem pouquíssima gordura e muito colágeno, são praticamente atléticos... Essa mesma galinha, que foi abatida aos 6 meses, alimentou uma família de 4 adultos e 3 crianças por 3 refeições (com guarnições e saladas).
Pra temperar temos salsinha abundante e escura, da mesma horta de onde vieram as alfaces. São colhidas com raiz pra dar mais espaço e desafogar o canteiro, tamanha a fartura. Os talos com raiz são replantados por aí, pra ver se vão pra frente num terreno um pouco menos fértil.
Um dia encontrei peixe congelado no mercadinho da cidade, juntei tomate, cebola e pimentão de produtores locais e o bom e velho leite de côco. Coentro da horta do meu pai e lá estava nossa linda moqueca feita em panela de barro. O caldo que sobrou virou pirão.
Com três crianças é claro que a gente passa praticamente o dia todo na cozinha lavando, limpando, preparando e alimentando, porém nos revezamos pra levá-los lá fora pra um passeio, porque ainda são pequenos pra sair sem adultos. O maiorzinho já vai pra escola à tarde e as meninas dormem. Todos eles desfrutam do ambiente, se divertem com os animaizinhos e entre si.
Do que mais a gente precisa nessa vida?